A importância da Nutrição durante a gestação


Durante a gestação, a saúde e alimentação da mãe podem influenciar diretamente na saúde do bebê, portanto, são aspectos que devem ser promovidos antes mesmo da gravidez! E ai, surgem diversos questionamentos: “A alimentação pode influenciar na fertilidade?”; “Quais cuidados devem ser tomados com a alimentação durante a gestação?”; “Quando devo começar e parar de amamentar meu bebê?”; “Quantas vezes o bebê deve mamar por dia?”; “Quando o meu filho pode começar a comer?”; … Muitas dúvidas e inseguranças aparecem nesse momento e, sabendo que o grupo materno-infantil necessita de cuidados específicos, o nutricionista especialista é uma peça-chave nesse processo.

Como o nutricionista pode auxiliar em alguns sintomas comuns da gestação?

Algumas situações são comuns durante a gestação e o nutricionista é capaz de identificá-las e tomar condutas nutricionais adequadas para eliminar ou amenizar os sintomas.

Os mais característicos e relatados pelas mulheres durante a gravidez são as náuseas e vômitos, que são frequentes no primeiro trimestre de gestação. Esse mal-estar pode ocorrer devido a alterações hormonais e aumentam a capacidade do olfato, deixando a mulher mais sensível a determinados tipos de odores. O organismo da gestante é tão sensacional, que esse aumento da capacidade olfativa é um instinto de defesa, pois a gestante consegue identificar desde já os alimentos que podem estar estragados, deixando de consumi-los. Algumas condutas podem ser tomadas para melhorar os sintomas, como fazer refeições pequenas, fracionadas e secas, consumir alimentos com baixo teor de gordura e biscoitos cream cracker no período da manhã, que podem ajudar a amenizar esses problemas. O ideal é a mulher identificar os alimentos que reduzem a própria sensação de náuseas e vômitos, lembrando, porém, que nenhum excesso é benéfico. Normalmente, a partir da 14ª semana, a disposição para alimentar-se normalmente volta ao que era antes e pode ocorrer um aumento do apetite.

Outro sintoma muito comum é a azia (pirose), que ocorre devido à pressão do útero sobre o estômago:o relaxamento do esfíncter esofagiano inferior (região que forma a entrada do estômago) faz com que, logo após o consumo de alimentos, o “bolo” retorne para o esôfago misturado ao ácido clorídrico, levando à sensação de queimação. As orientações básicas para a melhora desses sintomas são comer e mastigar tranquilamente, evitar períodos longos de jejum, fracionar as refeições e evitar grandes quantidades de alimentos.

Vale lembrar que essas são condutas gerais e nem sempre irão resolver ou serão adequadas dependendo da gestante. Como conversamos,um alimento que reduz a náusea de uma gestante, por exemplo, pode exacerbar esse sintoma em outra. Por isso, é necessário um atendimento nutricional individualizado.

Amamentação e Alimentação do bebê

Após o nascimento do bebê, vem o momento tão sonhado de muitas mamães: amamentar. O nutricionista e outros profissionais de saúde devem estimular e orientar o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de idade e complementado até dois anos ou mais. Vamos conversar em outros momentos sobre as mães que apresentam dificuldade para amamentar e o que pode ser feito nesses casos.

Até o sexto mês de idade, o leite materno exclusivo e em livre demanda é capaz de suprir todas as necessidades do bebê. O início da alimentação antes desse período deve ser desencorajado, pois pode acarretar em episódios de diarréia, desnutrição, menor absorção de nutrientes e menor tempo de aleitamento materno, comprometendo a saúde do bebê. O leite materno possui uma grande importância, uma vez que evita mortes infantis, diarréias e infecção respiratória, reduz o risco de alergias, hipertensão, colesterol alto, diabetes e obesidade, além de ter um efeito positivo no desenvolvimento cognitivo, … (são muitos!).Não podemos deixar de destacar também o desenvolvimento de laços emocionais mais fortes entre mãe e filho através da amamentação.

A partir do sexto mês, o bebê já está apto para iniciar a alimentação complementar, pois já desenvolveu os reflexos necessários para a deglutição, além de ser um importante momento para estimular a alimentação saudável e preferência alimentar, criando um hábito que pode acompanhá-lo até a vida adulta. Vale lembrar que a oferta do leite materno deve ser mantida (aliás, recomenda-se o aleitamento materno até os dois anos de idade ou mais), pois ele continua sendo uma excelente fonte de nutrientes. Destaca-se que nesse período é muito importante o acompanhamento de um nutricionista para orientar corretamente as etapas de introdução dos alimentos de acordo com as individualidades do bebê e da mãe.

Contraindicações no período de amamentação

Será que a lactante (a mãe que amamenta, também chamada de “nutriz”) necessita de alguns cuidados? Sempre. A mãe deve estar atenta a sua alimentação, procurando por hábitos alimentares e de vida saudáveis, evitando ou, de preferência, eliminando o uso de algumas substâncias que podem interferir no leite materno.

Dentre as substâncias, estão: a nicotina, que pode ter um efeito de redução na produção de leite e causar intoxicação na criança; o álcool em grandes quantidades, que tem a capacidade de inibir a descida do leite e desencadear em retardo psicológico e motor da criança; e a cafeína, que tem a possibilidade de causar dificuldades no sono e hiperatividade da criança. Logo, a orientação é que essas substâncias sejam retiradas enquanto estiver em aleitamento!

Apesar dos diversos benefícios do leite materno, em alguns casos o aleitamento é contraindicado, pois pode ser prejudicial em outros aspectos. Destacamos aqui os casos de bebês com galactosemias (dificuldade em metabolizar a galactose) e de mães que têm tuberculose ativa não tratada,que usam drogas de forma abusiva ou são soropositivas para o vírus da imunodeficiência humana (HIV).Esses e outros casos devem ser avaliados e discutidos com o médico e demais profissionais de saúde especializados na área. Lembrando que esse acompanhamento obstétrico é sempre importante para garantir a saúde da mãe e do bebê como um todo.

Consequências de uma alimentação inadequada e o papel da Nutrição materno-infantil

A importância do nutricionista está não só na certeza de que uma boa alimentação irá resultar em uma gestação mais saudável, mas também no fato de que um hábito inadequado nesse sentido pode ter consequências graves na saúde da mãe e do bebê. Destaco aqui a deficiência de ferro como uma das maiores preocupações na infância, a qual é caracterizada pela anemia ferropriva. A deficiência de ferro pode prejudicar o crescimento e desenvolvimento normais do bebê, bem como a capacidade de aprendizagem, causando atraso no desenvolvimento da coordenação motora e da linguagem e provocando alterações comportamentais da criança. Essas consequências podem perdurar durante a vida toda do indivíduo quando não tratadas precocemente.

Logo, o nutricionista torna-se uma peça fundamental nesse período. As mães devem ser orientadas a promover o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês, uma vez que o leite materno é capaz de prevenir por si só a anemia e outras intercorrências nessa fase (além de nutrir o bebê de forma completa, como já citamos). A partir desse período, o nutricionista tem o importante papel de orientar o início da alimentação complementar do bebê de forma adequada e saudável, com alimentos apropriados para cada fase da vida e de forma individualizada, promovendo a saúde do bebê e prevenindo a possível deficiência de ferro e de outros nutrientes.

Com carinho,

Quando Eu Crescer Brasil…

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