Amamentação em tempos de COVID-19

As evidências relacionadas à amamentação sob diagnóstico de COVID-19 até o momento são escassas, pois trata-se de um novo vírus (SARS-CoV2) que, conforme a ciência evolui vai dando forma às recomendações. Nos casos de suspeita ou confirmação, a Organização Mundial de Saúde recomenda que a amamentação seja mantida sempre que houver condições da mãe amamentar, seguindo o protocolo de higienização e proteção para controle da infecção, uma vez que os estudos atuais mostram que o leite materno não transmite o vírus que causa a doença.


O mesmo vale para as mamães doadoras ou receptoras de leite materno, a correta higienização dos frascos antes e depois de serem manuseados são atitudes que controlam a infecção pelo vírus, e devem ser feitas tanto no caso de suspeita/confirmação como na ausência de sintomas, pois existem e são muito comuns os casos de contaminação assintomática. Portanto, a OMS recomenda que todos utilizem os mesmos cuidados indicados na hora da amamentação: higienização das mãos, uso de máscara e desinfetar superfícies de contato.


Vale ressaltar que privar a mãe de amamentar durante o tratamento ou por medo de contaminação interfere no fornecimento de leite materno ao bebê, uma vez que a fabricação do leite só ocorre através do estímulo. A ausência do aleitamento materno pode ser prejudicial para o desenvolvimento do sistema imunológico inato e específico da criança, uma vez que contém anticorpos que protegem a criança de infecções, diminuindo os seus efeitos, sendo considerada a primeira “vacina” do bebê.


Além disso, bebês não amamentados possuem de 3 a 6 vezes mais chances de serem hospitalizados por pneumonia em comparação com bebês amamentados sobre livre demanda por mais de 4 meses. A amamentação protege o bebê de diversas infecções e principalmente, auxilia no controle das infecções respiratórias, além de tornar o tempo de recuperação menor e tornar o momento menos estressante para mãe e filho.


A Sociedade Brasileira de Pediatria manifestou-se favoravelmente à manutenção da amamentação por mães portadoras do COVID-19, diante das atuais evidências. Até o momento, amamentar de forma exclusiva e sob livre demanda continua sendo a primeira e mais confiável opção para mamães e bebês de até 6 meses!

Com carinho,

Quando Eu Crescer…

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