Síndrome de Burnout Materno – Parte 2

No post anterior conhecemos a Síndrome de Bornout materna e suas manifestações. Nesse post abordaremos suas consequências.

Como consequência desse esgotamento observa-se um maior distanciamento afetivo dos filhos. Muito cansadas, as mães não investem mais energia na relação com os filhos. Elas passam a prestar menos atenção ao que eles falam e fazem. Na maioria dos casos as mães entram em um “automatismo” comportamental, ou seja, suas atitudes com a criança ficam limitadas aos cuidados essenciais, como alimentação e higiene.

Outra consequência observada pelos pesquisadores está relacionada ao contraste entre a atuação materna do momento atual x as expectativas que essa mulher tinha quanto ao seu maternar x aos comportamentos que ela já teve no passado com seus filhos. Nesse último caso, as mulheres relatam não se reconhecerem mais e apresentam vergonha de sua atuação. A exaustão faz com que se desconectem de si mesmas.

Importante pontuar aqui que o esgotamento citado não se refere à depressão. Pois essa última afeta várias esferas da vida (profissional, familiar, social, etc) e, o esgotamento é um fenômeno contextualizado acometendo apenas uma esfera da vida do individuo. No entanto, nesse ultimo caso, observamos que ocorre um aumento no risco de acontecerem desgastes em outras áreas desencadeando uma depressão posteriormente.

Também não estamos falando da depressão pós parto que pode ocorrer poucos meses após o nascimento da criança e deve-se principalmente a alterações hormonais. O esgotamento emocional materno pode vir a acontecer em qualquer fase ao longo do desenvolvimento do filho.

Precisamos aceitar que a satisfação e a exaustão podem coexistir. Podemos sim amar nossos filhos e ficarmos cansadas desse papel, imaginando como seria mais fácil sem eles. Podemos e devemos pedir ajuda. Incluir o pai na educação e cuidados básicos dos filhos. Compreender que não somos perfeitas e que errar faz parte do processo de aprendizagem. Saber que só no dia a dia é que vamos construir uma relação satisfatória com toda a família e que nesse percurso, cada dia é único, cheio de acertos e erros.

Ser mãe é um aprendizado constante, ninguém sabe como é ser você. Ninguém sabe como é viver a sua vida, por isso não se cobre tanto, não compare suas ações com as de outras famílias. Não se coloque como superior e a superpoderosa que resolve tudo sozinha. Em alguns dias algumas coisas não sairão como o desejado e está tudo bem. Escolha suas batalhas, e não hesite em buscar ajuda profissional. Um bom terapeuta ajuda, e muito, nessas horas.

Texto escrito por Larissa Assis, especialista em psicopedagogia e psicologia cognitivo comportamental.

Referencias: Pesquisas realizadas pela psicóloga Moïra Mikolajczak, referências no campo do esgotamento dos pais.

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